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RESPONSABILIDADE SOCIAL NO AMBIENTE PÚBLICO É POSSÍVEL?


Os novos valores transmitidos pela visão socialmente responsável à sociedade já estão sendo percebidos sobremaneira.

O mundo corporativo privado estabeleceu uma aposta pelo bem, na certeza de construir vantagens competitivas à luz do seu cliente-consumidor, ao assumir posturas éticas e cidadãs que vão além do seu lucro e do seu próprio negócio.

Isto tudo faz parte de um grande processo de transformação desta mesma sociedade que vê, nestas atitudes, a real compreensão da empresa em melhorar sua imagem institucional e de fidelizar o produto/ serviço em troca de um olhar abrangente de melhorias internas do seu sistema de gestão de pessoas, e de conviver com posturas que garantam compreensão e adaptação também à sua responsabilidade social junto às comunidades que diretamente influencia.

Como, então, conceber este pensamento e atitudes também para o ambiente público?

Na verdade, temos que considerar alguns conceitos que permeiam esta tese.

O primeiro é quanto à filantropia, que é o ato de doar (via pessoa física ou jurídica) bens materiais ou financeiros para determinada(s) instituição(ões).

O segundo, é quanto ao poder público, responsável pelas políticas públicas sociais que tratam, coletivamente, de ações de transformação voltadas para a educação, saúde, habitação e transporte entre outros.

O terceiro, a responsabilidade social corporativa, que permite a participação da empresa na transformação social focada nas suas atitudes éticas e numa determinada comunidade ou atividade ou beneficiários diretos, que percebem imediatamente a raiz da inclusão social permeando o processo.



No momento,portanto, que avaliamos este tema sob a visão da participação do ambiente público e, em especial, nos municípios, podemos considerar os poderes executivo e legislativo como maestros e fomentadores deste novo olhar, capazes de fazer a diferença nos seus âmbitos de atuação.

Cabe, assim, ao Prefeito, estruturar sua políticas sociais, de modo a perceber este novo posicionamento da sociedade e das empresas instaladas no seu município.

Isto quer dizer que, compartilhando estas políticas públicas, o Prefeito poderá encontrar quem na cidade quer ser parceiro na entrega destes benefícios sociais, compatibilizando com os desejos das empresas ou entidades empresariais em apoiar estas iniciativas e ter sua imagem institucional valorizada na comunidade.

São exemplos destas atitudes, dentre outras, a construção e manutenção de creches, telecentros, áreas de lazer e esporte, revitalização de praças e/ou áreas deterioradas, plantação de árvores, profissionalização de jovens para o primeiro emprego, educação para o meio ambiente, reciclagem de resíduos, escolas comunitárias, qualificação das “guardinhas municipais”, ações coletivas de cidadania, mutirões de saúde, etc.

Também, cabe ao Prefeito, reconhecer no município os desafios que compreendem as 8 (oito) Metas do Milênio:
1. Acabar com a fome e a miséria.
2. Educação básica de qualidade para todos.
3. Igualdade entre sexos e valorização da mulher
4. Reduzir a mortalidade infantil
5. Melhorar a saúde das gestantes
6. Combater a AIDS, a Malária e outras doenças
7. Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente
8. Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento,
que deverão ser cumpridas até 2015, e como prover a cidade de indicadores sociais capazes de dar um norte às melhorias sociais que poderão ter também apoio das instituições em geral, ONG’s e das empresas.



Quanto ao Legislativo, projetos de lei pró-positivos poderão ser implementados nas Câmaras de Vereadores nesta linha de visão socialmente responsável. São eles, dentre outros:
· Criação do Fundo Municipal para a Criança e o Adolescente;
· Criação das OS – Organizações Sociais ;
· Criação do Programa de PPPs – Parceria Público Privada;
· Textos legais facilitadores das parcerias do município com as empresas e suas devidas reciprocidades;
· Prêmio “Balanço Social”, para reconhecimento público das empresas parceiras;
· Textos legais que garantam obrigatoriedade das empresas com Contrato de Prestação de Serviço Público e de concessões municipais, em cumprir com uma reciprocidade social à cidade integrada com as políticas públicas municipais ao longo da execução do período do serviço (ex.: contratos de lixo, transporte urbano, merenda escolar, limpeza urbana e outros serviços).

Se estas medidas forem adotadas nestes níveis de execução, não teremos dúvidas que o destino dos municípios será outro.

População mais envolvida, empresas compromissadas e instituições em parceria darão um novo quadro da situação social, numa moldura exemplar.
Ações estas que gerarão um ciclo virtuoso de concepção administrativa e legislativa, com um verdadeiro planejamento estratégico social municipal.

Que transforma, valoriza e reflete o novo modelo de gestão pública competente.

E aí, com os resultados garantidos, os herdeiros do futuro agradecerão.


*Lívio Giosa: Deputado Estadual (1997 a 1999); Fundador e Coordenador do IRES – Instituto ADVB de Responsabilidade Social; professor de cursos de Pós-Graduação (USP, FAAP, UNISA)


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