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Responsabilidade Social: consciência ou obrigação?


"Não somos piores, nem melhores. Somos iguais. Melhor é a nossa causa" (Thiago Mello)

São muitos os caminhos já percorridos por algumas empresas brasileiras que estão operando com programas socialmente responsáveis. No entanto, há muito ainda por fazer. Tocar a "alma das organizações", mexer com a governança corporativa, dirigentes, empresários e muitos de seus profissionais- líderes e executivos, demonstrando que o papel das empresas vai muito além do lucro, tem sido a ferramenta certa para despertar a consciência social deste enorme contingente.

Na verdade, ficam ainda dúvidas conceituais sobre a prática da filantropia, usual e costumeiramente empregada por muitas pessoas e empresas, com a prática de doar recursos mas não acompanhar a sua utilização, em relação à questão de responsabilidade social, empregada sob o foco estrutural, como um projeto social, com alcance definido, metodologia, recursos e base que garantam a verdadeira transformação do indivíduo beneficiado, levando-o à inclusnao social. Mais ainda, quando se questiona o papel do Estado e o das empresas, considerando-se que, àquele fica a responsabilidade das políticas públicas coletivas, e a estas a ação pontual local, junto a várias comunidades com que se relaciona. Estamos avançando e isso é muito significativo. Os resultados dessas ações demonstram a competência, a aplicação correta dos recursos, o amor, a motivação de um conjunto de pessoas, verdadeiras "guerrilhas sociais", que, pontualmente, vão deixando sua marca de mudança e cidadania em todos os rincões do Brasil. No entanto, estas tantas ações meritórias não bastam! O país tem pressa. A fome, a miséria e os desníveis sociais aceleram esta percepção de que há muito mesmo ainda por fazer. Se de um lado a globalização é questionada sob o foco social e econômico entre os povos, cada vez mais os índices mundiais nos despertam para uma tomada de posição frente à pobreza. No Brasil, os indicadores sociais também nos revelam insistentemente esta realidade. Fazer das empresas uma ilha de riqueza sem perceber que além de seus muros há um problema social a cada esquina e metro quadrado, nos dá o tom de compromisso que todos nós, brasileiros destes novos tempos, temos a cumprir. Como, portanto, estimular cada vez mais esta participação em projetos sociais das empresas? E não estamos falando só das grandes companhias. Precisamos envolver as médias, pequenas e micro espalhadas por todo o país. O golpe de mestre poderá vir pela via legislativa. Um grande acordo entre governos federais, estaduais e municipais poderia se dirigir à criação de incent ivos tributários para todas as empresas que inspirarem suas ações com programas socialmente responsáveis. Um destes requisitos era o da Responsabilidade Social. no Brasil, parece que estamos começando a perceber estes novos tempos. Este novo século aprofundará as marca sociais se nada de concreto for feito. Em contrapartida, as empresas estão sentindo o espaço certo de contribuírem, com programas sociais, nos mais variados setores de relacionamento com a comunidade. São pequenas, médias e grandes organizações, são os funcionários-voluntários, são as ONG´s sociais que se multiplicam, são premiações e distinções colocads para o bem comum, como incentivos extraordinários. Estas organizações, verdadeiras "agentes-sociais de mudança", são o exemplo vivo de que é possível crescer socialmente em criatividade e amor ao próximo. A "alma da empresa" se ajustou claramente com o espírito social, fazendo, sem dúvida, a diferença positiva e multiplicadora para uma gente carente que vê, nestas ações, o seu renascer e o seu futuro, com um mínimo de dignidade. Estamos, de forma construtiva, fazendo a nossa parte. Que estas atitudes sirvam realmente de exemplo e estímulo para que entidades, empresas e até o governo percebam, de vez, que somente depende de cada um dar o passo certo e rápido para o resgate social do nosso país.
Nos Estados Unidos e em países da Europa esta prática já é comum. Alguns municípios brasileiros também incentivam a aplicação deste procedimento sobre tributos locais, para a educação e à criança. A Lei Rouanet de Incentivo à Cultura é um exemplo concreto, despertando a consciência e a oportunidade das empresas investirem em projetos neste setor. Que tal então um Lei Social capaz de permitir incentivos fiscais ou isenções em parte de tributos federais, estaduais ou municipais? A contrapartida poderia ser a prestação de contas das empresas, sob a forma do balanço social com o aval de uma auditoria externa, comprovando a aplicação destes recursos e os resultados obtidos. Esta seria a verdadeira revolução social do Brasil. Um chamamento coletivo para uma performance inédita no país carente até de boas ações. Milhões de organizações e pessoas interessadas, voluntárias ou obrigadas. Não importa. O que importa é a causa, é o combate à miséria e à pobreza de uma forma ampla, completa e irrestrita. Tudo isso poderia ser realizado até por um período pré-determinado. Os incentivos ou isenções cobririam um tempo de 4 ou 5 anos, necessário para garantir um retorno evolutivo aos projetos e, ao mesmo tempo, ideal para se avaliar os resultados gerados. O ataque tem que ser frontal e intenso. A desigualdade social já nos distanciou demais do desenvolvimento sustentado. O valor pela vida, a consciência cidadã e a inclusão são os alicerces do despertar dessa nação, que pode, assim e afinal, dar certo.


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